Blog da PatSi


29/05/2007


O DIA EM QUE ACORDEI VELHA

O dia em que acordei velha não foi na virada quando passei de 39 pra 40 anos.

O dia em que acordei velha foi anteontem, bem no meio dos meus 42.

Logo depois que abri os olhos começou a tocar na minha cabeça uma música do fim dos anos 60/começo dos 70, que eu ouvia na Mundial AM. Não me lembro nem da época nem da idade que tinha exatamente. Mas me lembro perfeitamente da atmosfera daqueles tempos e, pasmem!, senti saudades... Mas não foi só um curto momento de saudades, como os rápidos flashbacks que já tive, lembrando de algumas músicas e desenhos animados. É um climão que tá durando até agora!

Eu, que sempre achei uma chatice esse papo de ai-que-saudades-da-minha-infância-querida-que-os-tempos-não-trazem-mais, me encontrei subitamente nesse estado! Está de dar medo!

Mas vamos a um detalhe importante: não acordei com saudades de ser criança, repito, mas com saudades daquela atmosfera do começo dos anos 70. Com as atenções voltadas pros surpreendentes avanços tecnológicos da época (fita-cassete, video-tape, TV a cores, modelos arrojados de telefones coloridos, o homem na Lua, jatos supersônicos, as mulheres começando a usar calças compridas), o mundo prometia grandes esperanças. E, alheia às lutas políticas da época, o Brasil era o País do Futuro, e o futuro era o futebol da Seleção Canarinho.

Percebo, então, que essas saudades que estão perdurando são as saudades de acreditar que o futuro seria melhor. Hoje, quando não sou mais filha, porém mãe, sou cética, temo pelo aquecimento global, a violência, a falta de ética. Deploro tudo isso, que já havia quando eu era criança, mas ignorava.

Não só eu, que era criança, ignorava, mas muitos adultos também. Como o que o cérebro não vê, nenhuma parte do corpo sente, me parece que todos éramos mais felizes e confiantes. Mas tenho a nítida impressão que os anos de chumbo eram mais leves para todos os tolos ignorantes, alienados, desbundados e que tais. O milênio aquecido não é leve pra ninguém, nem pros mauricinhos e patricinhas, que vivem amedrontados desfilando seus objetos “de marca” dentro de carros blindados com ar-condicionado.

Sem o Túnel do Tempo não dá pra realmente saber como era. Fica só a impressão. Impressionada, foi assim que acordei no dia em que acordei velha.

Escrito por Patsi às 16h17
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